Sentir

A gente torce para os olhos não se encontrarem, e eles se encontram

Retornam encharcados
Afogam-se uns nos outros
A gente torce para não sorrir
E quando se dá conta já não se ouve mais nada além do riso
A gente evita o toque, e aí percebe que na mão já existe outra, e além da mão há uma conexão, um lugar onde o sangue corre, onde o coração bate
O mesmo coração do abraço apertado nos lembra, que pelo menos por alguns instantes, duas pessoas podem ser uma só
E é só aí que a gente entende que não há o que possa ser evitado quando ainda há o que sentir